Salário mínimo
Por Antônio Marcus Machado
Eu vejo toda essa discussão em torno do salário mínimo e fico cada vez mais perplexo com o tratamento dado a duas camadas sociais. Uma é a das pessoas de baixa renda em pleno exercício de suas atividades econômicas e outra é a dos aposentados de forma geral. A definição do valor do salário mínimo aprisiona as duas categorias uma vez que permite ao empregador estar devidamente legal quando paga o que a lei estabelece apesar de um determinado trabalhador merecer muito mais. E ao Estado, pagar aos aposentados de acordo com a ética legal que ele mesmo cria em seu favor, deixando-os reféns dos empréstimos consignados e do auxílio dos filhos bem sucedidos ou não para cobrir suas despesas mensais. Um país que assim procede, que tem essa filosofia de retribuição dos impostos arrecadados especialmente quando ele está em desenvolvimento, cresce de forma atrofiada e insuficiente. Ou não cresce.
Essas duas classes sociais, se melhor remuneradas, muito poderão contribuir para a geração de impostos – e são inúmeros no Brasil – derivados de seu consumo cotidiano e freqüente. A dos trabalhadores pelo tanto que ainda terão que conquistar e a dos aposentados pela manutenção do pouco ou muito que duramente conquistaram. Os municípios, estados e a própria União arrecadarão mais, melhorando seus orçamentos plurianuais. Eu estou cansado de ser como esses esse economistas que mostram os números da previdência para concordar com esse mísero aumento concedido. Concordar também com uma sórdida política de aprovação no Congresso.
Afirmar que não é possível um aumento maior para não comprometer os gastos públicos, para não ser irresponsável com as contas públicas. Ora, há quanto tempo se usa esse argumento, não se concede aumentos melhores e dignos, e os gastos públicos continuam sendo irresponsáveis? Há quanto tempo os parlamentares brasileiros se concedem aumentos impressionantes e mantém suas dispensáveis verbas de manutenção e representação política? Há quanto tempo o país sangra em desvios financeiros frutos da corrupção? E não faz nada. Cansei da falácia da composição. De construir esse argumento indecoroso para aplaudir decisões politiqueiras. Onde está o ex-presidente que tanto se proclamou o paladino dessas categorias.
Pois bem, hoje sou um economista que discorda desses argumentos palacianos para prometer e não cumprir. Se ao longo de tantos anos o estado brasileiro não foi capaz de cuidar de cuidar de seu próprio orçamento que dê a partir de agora a chance que os trabalhadores de baixa renda e os aposentados tanto aguardam para terem uma vida melhor e mais socialmente contributiva. Fechei o livro de economia financeira e abri o livro de sociologia política. As palavras escritas têm uma grafia melhor.
Antônio Marcus
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